segunda-feira, 15 de junho de 2026

O vento a passar e uma bicicleta no meio da estrada. 
Sem carros. Sem capacete. Sem sinais de trânsito. 
É a vida antes do constrangimento e da regra.
É a Praça de Espanha ao lado da Mouraria.
É a cidade roubada que nos foi devolvida.

E é absolutamente obrigatório habitar este instante.

Acho que a Adília também ia gostar 
de andar de bicicleta ao sábado na cidade.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A sociedade do cansaço será então a sociedade da produção ausente. Nada produzir não é o mesmo que produzir o nada. Produzir o nada é quando se eliminou o objeto, a matéria, o concreto. Todo o fruto do trabalho passa a ser uma abstração: uns quantos códigos, umas tabelas de excel, otimização de algo (o quê?), exponenciar lucro de outrem (mas quem?), capitalizar paixões (mas quais?). E no final ainda na pulsão positivista continua a ser suposto o "tudo ser", construir um eu orgulhoso, tirar prazer do significado nulo.